Cortinas

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A história das Cortinas

A ideia do uso de cortinas no Ocidente foi importada de Oriente, já no Egito cortinas e tapetes foram usadas para decorar paredes. Na Europa, a primeira vez que se usaram estas peças na decoração foi em um casamento da realeza na Abadia de Westminster na Inglaterra do século XIII. Elas acompanhava a evolução histórica da Igreja , assim como os móveis, só que ao contrario deles, as cortinas progrediram muito devagar.

Na Idade Média (século V – XV ) os castelos não ofereciam grande conforto e as janelas, ainda sim vidros , eram pequenas demais para serem tapadas com tecidos durante o inverno.

No inicio do século XIII o Renascimento toma conta da Europa, com ele as grandes catedrais fazem introdução ao vidro; nos detalhes decorativos destaca-se simetria e moderação. Os móveis assim como as cortinas são trabalhadas em diferentes cores, porém os tecidos utilizados foram os mesmos. Encontramos um elemento novo na decoração: o bandô (bastidores o sanefas) de madeira para prender as cortinas.

Surge no século XIV a construção de chaminés. Camas cobertas por doseles e pesadas cortinas protegiam do frio. Nessa mesma época aparece o andor (dossel) cerimonial que resguardava o paso dos nobres, parecido com um grande “guarda-sol” muito enfeitado. Reyes como Luis XIV contratavam arquitetos e designers e seus trabalhos eram imitados em toda Europa.

O Renascimento, faz com que a cortina seja adorno da realeza . Os nobres adquiriam tecidos no Oriente e enfeitavam os corredores de seus palácios. Novos tecidos ganham popularidade: seda , terciopelo (tecido veludo feito de seda), cetim , damasco e brocados . Mais adiante os tecidos incluíam desenhos vegetais e de animais assim como motivos geométricos. Esta Época aporta os alicerces que o Barroco desarrolhará em todo seu esplendor.

Barroco (ano 1600 a 1750 aproximadamente): Neste período as janelas adquirem grandes proporções e junto com o nascimento da cenografia e o amor por os drapeados ( muitas dobras) , ocorre o culto por cortinar, as cortinas são agora um elemento decorativo . Para atrair fieis, a Igreja promoveu as artes, a arquitetura e o design nos templos , surge assim uma arte nova, deslumbrante e atraente, que influenciaria todo o design no ocidente. São produzidas nas fábricas cerâmicas, tapetes persas e majestosos tecidos pintados a mão para cobrir portas e janelas , decorados com rendas luxosas.

Os Elementos arquitetônicos são utilizados com certa liberdade e individualidade, por exemplo as janelas tem tamanhos maiores, algumas delas vão ate o chão . As cores são inspiradas no branco, dorado e “granate” (pedra fina de cor vermelho cereja).

Rococó: no reinado de Luis XV entre 1725 e 1775 são adaptados os tons pasteis, as formas orgânicas como curvas, variedade de texturas, e muito brilho mediante o uso de espelhos , vidro e dorados. Neste período destacaram-se os franceses como mestres do cortinar.

Luis XVI introduz o Neoclassicismo, são evocados elementos da Roma imperial como adornos em bronze e detalhes dorados.     O arquiteto Robert Adam é o artífice do interionismo na Europa , aproveita os cores claros do Rococó assim como os grandes espaços. Entra em cena a geometria com predomínio de líneas retas e curvas mas de forma equilibrada. O design torna-se mais suave e leve.

O estilo Vitoriano tem também características neoclássicas , ocorre num largo período voltado para o Romantismo , este se difunde nos Estados Unidos onde a industrialização traz grandes inovações na arquitetura e o design da época. A sala e a parte mais importante do lar , vestida com tecidos tradicionais de cor vermelho intenso, verde e marrom ouro de preferencia. Os estofados são decorados com almofadas bordadas e o papel de parede faz sucesso. No chão os tapetes orientais cobrem a maior parte do piso e o design da cama inclui um dossel belamente decorado.

Estilo Vitoriano na América

Entre 1830 e 1890 aparece o Romantismo como estilo do Século XIX, grupos de arquitetos e designers dividissem em dois movimentos , um deles recupera as artes decorativas medievais, o outro valoriza o trabalho manual artesanal, seu nome: Arts and Crafts. Na decoração interior o movimento novo faz uso de cores vivos , sem muita pretensão, cortinas e tapizaria oferecem um design simples assim como os móveis. O importante era conforto e   aconchego. Agrupa designers de renome não só na Europa mais também na America.

Movimento Arts&Crafts, Designer G. Stickley

Para as cortinas, o Século XX traz novidades em texturas, cores, e design. As cortinas clássicas continuam em alta nas decorações tradicionais, inspiradas no design francês, mais as mudanças da Revolução Industrial fizeram impulsar não só as “Belas artes” como também o design de móveis e a decoração de interiores onde na cor prevalecem os tons pastéis.

No Brasil, as tendencias no design do princípios do século XX são ecléticas, pois a intenção era negar a ligação com o passado português, arquitetos renomados como Oscar Niemayer participam com suas criações de projetos arquitetônicos monumentais mudando o paisagem neoclássico das construções tradicionais atraindo o olhar do mundo para o Brasil, porem o design das cortinas continua sob influencia europeia.

Entre 1919 e 1945 o movimento Art déco faz sucesso na Europa e traz como diferencial dois tendencias , Neoclassicismo inspirada em culturas greco latinas, egípcias e da Mesopotâmia, e a outra Aerodinâmica baseada nas novas sensações de velocidade , representadas por: linhas paralelas, figuras geométricas e natureza abstrata. São estas linhas que o decorador Émille-Jacques Ruhlmann introduz nas suas criações mediante cortinas plisadas com formato de estrias, para dar ideia de colunas dóricas. As cores foram nas duplas laranja e preto e azul e ouro.

Modernismo: Estilo Art Deco

“Festoon blinds” ou Romana festão

O estilo glamouroso de Hollywood influenciou o design no mundo todo e as cortinas seguem o mesmo padrão da moda feminina. Nos tecidos o cetim aparece nas cortinas e na roupa de cama. Uma solução para as janelas tipo guilhotina , comuns na arquitetura da época, foi o uso de romanas tipo ” festoons blinds” conhecidas também como “estores austríacos” feitas em tecido de   seda , linho ou renda.

Na Europa, o grande designer Le Corbusier define a casa como “grande máquina de viver”, valorizando ainda mais o interionismo, tornando os espaços funcionais. As janelas agora continuas integram o paisagem externo e as cortinas deixam de serem decorativas, tem agora uma função.

Após a criação de fibras artificias e sintéticas , a produção industrial da moda lança ao mercado nos Estados Unidos em 1938 o “Nylon” um tecido macio, flexível , de cores firmes que rapidamente alcança o exito mundial . As rendas agora são industrializadas e criadas nas grandes fábricas para uma comercialização masiva. Nas lojas por departamento, são oferecidas cortinas prontas, surge assim uma nova industria na decoração de interiores.

Também nesse pais são patenteados sistemas de trilhos para cortinas porem no Brasil estas tecnologias chegaram décadas depois, quando a industria do alumínio e desarrollada. Tecidos de algodão impressos com flores tornaram-se populares.

Designer Ross Stewart 1936

A Segunda Guerra Mundial cria muitas novidades, uma delas surgiu da necessidade de bloquear a luz das janelas durante a noite, para que as cidades não foram atengidas nos bombardeios. Foi assim que nasceu o Black out, conhecido no Brasil como “black out” (bloqueio), no qual torno-se um grande aliado no controle de luz e isolamento térmico.

Cortinas de black out 1940

As duis guerras mundiais mudam profundamente os estilos decorativos pois a cultura social agora é outra. Nas grandes metrópoles, as pessoas passam a morar em apartamentos e casas geminadas, então o conceito de moradia muda por completo. A cortina é essencial para a privacidade da maior parte dos lares e são incorporadas nos estilos arquitetônicos novos, elas passam a serem uma necessidade primordial.